* por Raven Darkholme – Mística (X-men)
Como fiquei solteira há poucos meses e certas coisas absurdas começaram a me acontecer (déjà vu), resolvi fazer uma retrospectiva dos meus casos amoros mais insanos. Eu me pergunto: Por que, meu Deus, eu atraio gente doida?
O primeiro caso foi o de um colega da faculdade. Final de ano, 2º período, todo mundo naquela interação que só a faculdade, o álcool e a vontade de pegar todo mundo intimidade proporcionam, comendo petiscos no barzinho próximo ao estabelecimento estudantil, eis que o infeliz solta “ainda vou ficar com você” e eu respondo “ah, jura?” e ele “sim, vou te ligar, me aguarde!”
No dia seguinte, quase meia-noite, toca meu celular e é o dito cujo dizendo “estou indo na sua casa agora, em que rua eu viro mesmo?” Tá bom, fiz papel de GPS e orientei o marmanjo para chegar até minha casa, esperei na calçada e ele nem fala comigo direito, já chega me beijando. Ok ok, até aí tudo bem, apesar de feinho eu tinha uma quedinha contida por ele, pelo jeitinho doido de viver e das conversas. E ficou por isso. Virava e mexia ele inventava alguma desculpa como “preciso do material de tal disciplina para estudar pro exame” e aparecia na minha casa.
De repente o marmanjo dá uma desaparecida da minha casa, e eu começo a ver scraps suspeitos no Orkut dele, de uma mulher nada convencional, digamos (para não comentar a cara de vagabunda, a idade, fotos de bikini e as comunidades “eu sou gostosa” e “meu ex-marido me persegue”). Até que finalmente iniciaram-se as aulas do 3º período.
Estávamos subindo as escadas, ele, eu e mais duas amigas contando as novidades, e uma delas solta em alto e bom som “Amigaa, vc sabia que o Fulaninho aqui está namorando?” E eu com aquela cara de “WHAT THE FUCK, NÃO ACREDITO”. E em seguida fiquei sabendo tudo sobre a vagabunda tiazona dele: duas filhas, ex-marido rico sustentando, 30 e poucos anos, se achando a adolescente na balada, enfim.. namorando o meu peguéti?! Mereço mesmo. Me fiz de forte e evitava falar com ele.
Até que certo dia, estava eu com mais três amigas de adolescência, no apartamento de uma delas, preparando cachorro quente enquanto o resto do pessoal jogava poker na sala e eu comento “nossa, que legal, sua janela da cozinha dá de frente pra janela da cozinha do vizinho. Assim você tem companhia na hora de lavar a louça”. Palhaçadas a parte, a anfitriã me pergunta do peguéti. Enquanto eu cortava tomates e ela mexia no molho do cachorro quente, expliquei que ele apareceu namorando, e comecei a descrever a potranca tiazona com todo meu vocabulário de “elogios” que só uma mulher com raiva possui. Eis que, aparece a vizinha na janela da cozinha também, e no segundo após minha descrição detalhada, minha amiga levanta a cabeça e diz “peraí, eu acho que conheço essa mulher” e olha pra frente. A vizinha dela lá.. loira e, reparando bem, parecida com a potranca tiazona (que eu nunca tinha visto pessoalmente) e quem surge sem camisa no nosso campo de visão? SIM! Exatamente ELE! O ataque de riso foi totalmente impossível de se conter. A gargalhada explodiu na cozinha e todo mundo se escondeu, menos a monga aqui, que ficou com a cara estampada na janela e ainda ganhou um tchau do ex-peguéti.
Na faculdade, fingi que nada tinha acontecido... E o tempo passa, o tempo voa, menos de três meses depois eles tinham “terminado” e surge um churrasquinho (cerveja, música e azaração) da faculdade e adivinha quem veio pra cima de mim? Aham! Com aquele papinho manjado, tentando me ensinar a dançar, conversinha no ouvido, me elogiando. Ok! Acabamos nos beijando. Me infernizou até o ultimo para me levar para “minha casa” (aham! Nasci ontem, né?!) e eu recusei. Dois dias depois, recebo uma sms da minha amiga anfitriã do apartamento (que não sabia que tínhamos ficado de novo) dizendo “viu, o seu peguéti da facul está aqui no mesmo restaurante que eu, almoçando com a tiazona”. Na mesma hora mandei uma sms pra ele dizendo “se arrependeu, foi?! Bom almoço!” ou alguma coisa assim. E virei a cara pra ele. Sim! Dei uma de pré-adolescente e quis fazer cu doce. Hoje eu sei que foi uma tremenda burrice a minha! Porque, afinal, eu sentia atração por ele por vários motivos e poderia muito bem aproveitar a amizade dele, mas mesmo assim, a orgulhosa aqui evitava olhar na cara dele. Até que um dia, numa quinta-feira ele senta do meu lado enquanto a professora corrigia nossos exercícios e ele ficou tentando conversar comigo, perguntando o que eu ia fazer no final de semana e eu respondi meio sem vontade. E saímos da sala juntos.. enquanto ele saia alguém gritou pra ele “vamos tomar uma cerveja?” e ele com a resposta pronta de sempre respondeu “só se for agora!” e saiu acenando para todos.
Infelizmente, essa história maluca foi interrompida por uma tragédia. Aquele final de aula foi o último em que o vi, pois no dia seguinte ele sofreu um acidente que levou embora a vida alegre e inconsequente que ele levava.
Hoje, eu não sei se foi o destino, coincidência, ou puro azar mesmo, mas gostaria de saber como essa história terminaria se ele não tivesse partido desse mundo. Provavelmente, ficaria enrolando as duas mais um tempo. Quem sabe?"
Caneles de Bordeaux
Há 6 meses


